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Blig Amigos

Meu passado

09/09/2003 19:41


Dia 3 de maio de 2003, Gothan City, 12:34pm - A Cidade Dorme, Os Monstros Acordam. O crime segue galopante pelas ruas de Gothan, sem medo, sem regras. Eu me sento no alto da torre do Jornal tendo apenas a companhia de um gárgula para me impedir de dormir. Mas eu não conseguiria dormir, sabendo que enquanto eu durmo, violência e morte seguem soltas pelas ruas da minha Gothan.

São agora 12:40 PM, final da sessão de Cinema. Inocentes vão às salas de exibição fugir da realidade, se intoxicar com efeitos delirantes criados pelos magos do reino de hollywood. Durante duas horas eles ficam imersos num sonho, experimentando o drama, a alegria, o amor, a comédia. Após essas duas horas, eles são ejetados para o mundo real, onde experimentarão o medo e a chance.

Os mais afortunados são os que ignoram a situação, que saem felizes papeando, sonhando com um mundo irreal onde tudo é possível sem perceber que nas sombras, criminosos estão espreitando. Esperando o tempo certo, o momento único para dar o bote. E nesse instante, eles serão retirados do mundo dos sonhos e lançados contra a dura realidade, que eles são apenas uma presa, um prêmio a ser caçado, uma carteira, uma chave de carro, um sapato, um relógio. E dizem que EU sou um criminoso.

Passaram 15 minutos, Quase uma da manhã, vejo um casal abraçado vindo, caminhando despreocupadamente pelas ruas escuras e úmidas de Gothan. Eles se beijam sem pressa. Eles acham que estão em seu território.

Esquina, um beco sujo, eu vejo o brilho de uma faca sendo desembanhada, um monstro se esconde no escuro da madrugada, ele ja viu sua presa. Ele sorri, maliciosamente. Eu vejo ele olhando com fome para a menina. Eu escuto ele rosnando para o menino. Eu sinto a raiva subindo dentro dele enquanto ele se prepara para o momento único do bote. Ele acha que está em seu território.

Uma da manhã, o ladrão começa a pegar impulso, o casal continua se beijando displicentemente, eu olho para o gárgula de pedra, somente ele me entende. eu me lanço do alto do prédio. Quem sou eu? Eu sou o Batman, e esse é o meu território.

Antes mesmo do criminoso sair do beco eu aterriso entre ele e a esquina. Dou a ele dois segundos para entender o que está acontecendo. Eu estou acontecendo. Ele discorda.

Mal sabe usar uma faca. Um profissional ruim tem muito a ensinar a este idiota. E ainda assim ele acha que tem o direito de me atacar. Ele ergue o braço para me esfaquear. Tem gente que assistiu psicose demais, Alfred Hitchcock devia ser processado por uso indevido da técnica, nada é mais inútil marcialmente que um golpe desses. Se algum dia alguém me acertar assim, eu me aposento. Se algum dia alguém acertar o Robin assim, eu mato ele. Maldito Hitchcock, tirou todo o desafio da coisa.

O infeliz nem sabe o que aconteceu, eu informo bem perto do ouvido dele que o braço dele esta quebrado em três partes e o joelho esquerdo dele também, mas eu duvido que ele tenha prestado atenção. Ele estava ocupado repensando o seu lugar no mundo, a dor leva a reflexão. Eu amarro e penduro ele na escada de incêndio. Capitão Gordon está ficando míope, eu gosto de ajudá-lo colocando os criminosos em lugares visíveis.

Eu checo meu relógio, 1:07 AM. O casal passa pelo beco, eles não perceberam nada, no mundo deles o que aconteceu hoje foi uma agradável sessão de cinema e uma fria caminhada para casa, o maior perigo que eles enfrentaram foi uma barata ocasional e mosquitos inconvenientes. No meu mundo foi apenas mais um dia com Monstros. Qual meu lugar no mundo? Por Que estamos aqui? Eu estou aqui para retomar a noite, para toma-la de volta, um monstro de cada vez.

Eu escalo o prédio novamente, do alto dele eu monitoro as frequencias de radio de celulares e walkie talkies, microfones estratégicos espalhados pela cidade amplificam os sons que estão longe demais de mim. Nada está longe demais de mim.

Rua Jersey com Av. Nigelson, barulho de armas sendo engatilhadas. Nessa esquina tem uma agência bancaria, em frente a essa agência tem uma creche. Sim, essa vai ser uma noite longa.

1:43 AM, o problema da Agência foi resolvido. Tenho pena dos médicos do hospital público, eles sempre reclamam que eu passo dos limites. Memorial Park, casais adolescentes cedem aos chamados dos hormonios, Uma mulher cede aos uivos da loucura. Ela esta a alguns minutos dos pombinhos em questão, e eu estou a muitos minutos dela. Vou ter que pegar um atalho. Os cofres públicos que me perdoem, mas este Batmóvel vai entrar grade a dentro. E tudo indica que chafariz a dentro também.

2:28 AM… o parque está seguro senão por uma infiltração generalizada fruto da falta de planejamento do governador e seus engenheiros em criar chafarizes aptos a resistir a um choque de um automóvel a simples 80 km/h.

Eu saio do parque, dessa vez pela porta. Não quero estar aqui quando as equipes da defesa civil chegarem. Duas e meia da manhã. Estou no topo de um prédio comercial com meu laptop monitorando tudo. É hora do meu jantar, pego o invólucro plástico térmico. Robin chama de Bat-Lancheira, mas eu me recuso a usar esse nome.

Sanduíches de Atum com Milho, por Deus, Alfred sabe que eu não suporto milho, como posso lutar a noite toda se fico de mal humor por causa da minha comida. Vou acabar descontando em algum idiota.

2:53, eu recebo uma visita ruim no alto do prédio.


“Olá Bruce.”

“Oi Super-Homen.”

“Jantando?”

não, estou olhando a paisagem. “Pois é.”

“Bom, eu adoro sanduíche de Atum, e tem milho, ótimo! Você teria mais um na sua bat-lancheira”

Por Deus, eu odeio ele, eu odeio ele. “Não”. Sim eu tenho mais dois.

“Bruce, eu sei que você tem, lembre-se, eu tenho visão de raio-x”

“é para o Robin.” Não, aconteça o que acontecer, eu não vou dividir minha comida com ele.

“Ah sim. Bom Bruce, temos que conversar”

Lá vem ele, escoteiro com algum papo chato para me irritar. Ele ama fazer isso, eu sei. E enquanto isso alguém esta sendo assaltado, eu me dou 12 minutos de janta para continuar de pé apenas e ele ja ultrapassou meus limites.

“Bruce… Batman preste atenção, eu vou falar uma vez só”

Ai meu saco. Como ele me achou aqui, como diabos ele me achou.

“Bruce… eu estive na mansão hoje.”

Alfred, eu mato você.

“Bruce… Alfred e eu conversamos sim, mas não foi ele que me disse que você estava aqui.”

Robin, você vai virar menina, ah mas vai…

“Também não foi o Robin.”

Tá, eu presto atenção.

“Fale!”

“Bruce, você esta passando dos limites. Foi só seguir o rastro. Sua noite começou simples quebrando metade dos ossos de um cara que não representava a mínima ameaça para você, depois seguiu destruindo todas as janelas e cadeiras de um banco, teve seu ápice quando você derrubou 30 metros de cerca de ferro do Memorial Park, destruiu as petúnias premiadas da cidade e o chafariz de bronze dado pelo Presidente.”

“Clark… quem liga para petúnias.”

“Para começar, as petúnias.”

“humpf.”

“Bruce… Eu conversei com Alfred e o Dick, eles concordam comigo.”

“O que você tem em mente.”

“Bruce, você vai tirar férias. E vai tirar férias a partir de hoje”

“Mas hein!?”

“Voce vai descansar até passar um pouco essa raiva toda, você esta quase se tornando tão criminoso quanto os monstros que você combate.”

“Seu escoteirinho metido a…”

“Ei morcego, ta tudo bem.”

“Robin, você tem um grande problema nas mãos.”

“Bruce, eu e o Robin tomaremos conta de Gothan na sua ausência.”

“Mas, Mas…”

“Esta tudo certo. Eu também tenho uma coisa ou outra para ensinar ao menino prodígio.”

“É pode ser. E eu já sou bem grandinho, eu e o super cuidamos de tudo aqui em casa. Você vai viajar. Alfred já esta sabendo, ele já preparou suas malas.”

“Bruce, você precisa parar um pouco. Você sabe disso.”

Parar, um descanso. Nunca. Se bem que minha panturrilha anda doendo, e preciso de um tempo para curar minhas costas da última armadilha do curinga.

“Eu não tiro férias. Mas irei viajar sim, preciso de um tempo para recuperar minha saúde.”

“Bom, Muito bom, Passar bem Bruce, eu e o Robin assumimos daqui.”

Eu sigo rumo a mansão. Não consigo acreditar que estou tirando férias. O que aquele imbecil sabe sobre combater o crime. Ele vai acabar estragando o garoto. Batman, Batman, confie mais no Robin.
Sim eu tenho que confiar no garoto. É umas férias vão me fazer bem. 160 km/h… acho que eu estou ansioso.


EPÍLOGO


“Robin, eu escuto o grito de uma donzela em perigo, vamos. Para o Alto e Avante!!”

“Ei, super, eu não vôo.”

“Eh… eu te carrego, Para o Alto e Avante!”

“Vou jogá-lo entre o criminoso e a garota, você a protege, eu cuido dele.”

“santa idéia super!”

“AAAHHH!!! O Robin!”

Então o menino prodígio levanta a mão apontando para trás do criminoso que se vira relutante tremendo de medo.

“Ei, você é o Super-Homen.”

“Sim.”

“Cade o Batman?”

“Voce esta preso!”

“Onde esta o Batman?”

“Senhor, eu lhe disse, você está preso.”

“Eu não vou apanhar?”

“Queira por favor me acompanhar até a delegacia.”

“Robin, o que é esse papel?”

“eeerrr… o telefone da garota super.”

“Robin, Batman nunca lhe disse para não misturar trabalho de diversão, rapaz?”

“Ele não tem moral para isso… já viu ele e a mulher gato?”

“Rapaz, jogue esse telefone fora ou eu vou queimá-lo dentro do seu bolso. Você nem conhece os pais da rapariga.”


FIM DO EPÍLOGO



Eu entro na mansão. Na caverna troco de roupa, subo as escadas e sento no sofá da sala, minha cabeça gira.


“Boa Noite Patrão Bruce.”

“Boa Noite Alfred.”

“Vejo que resolveu aceitar o conselho.”

“Sim, deve ser o melhor a fazer mesmo.”

“Vejo também que o senhor arranhou o carro.”

“Espere pelo jornal de amanhã.”


“Suas malas estão prontas.”

“Alfred, afinal, para onde eu vou?”


“Patrão Bruce, acho que o senhor precisa de um pouco de Alegria, Paz e Esperança. Escolhi um país exótico para o Senhor. Um país na América do Sul, um país civilizado onde as pessoas são muito amigáveis, eles já conseguiram até depor pacificamente um presidente. Acho que la o Senhor não encontrará nada violento para deixá-lo tenso ou mesmo furioso.”

“Nossa Alfred, qual o nome desse paraíso?”

“Brasil Senhor, e eles falam português, possuem bebidas exóticas e belas mulheres.”

“Boa escolha Alfred, Boa escolha…”

“E garanto que nenhuma dessas mulheres tentará explodi-lo enquanto diz eu te amo.”

GOL, esse é o nome da companhia aérea. Esse povo deve levar o football muito a sério mesmo. Belas aeromoças. Lá vem o carrinho, hum, será que a comida é boa.

“Want any food mister?”

“Yes, please.”

“You can choose between our special sandwich or our cultural enhanced food.”

“What is a cultural enhanced food?”

“We’re serving special regional food in the first class so that you may enjoy and discover the magical mysteries of our hauté cusine.”

“What’s the sandwich.”

“It’s Atum and Corn.”

Que centenas de infernos caiam sobre a cabeça de quem prepara esses cardápios.

“Okay, whats the cultural enhanced food?”

“It’s called Acarajé, it’s from Bahia.”

“But this flight is aimed to Rio De Janeiro!”

“Well Brazil is one huge country, this is to symbolize our integration and devotion to one another as a peace loving nation under God.”

“Okay, I’ll take it.”

“Mister, I assure you, you will never forget!”

Deus do Céu, como diabos come-se isso. Batman, seja esperto, você é treinado nas artes do subterfúgio, espie alguém comendo. Hei, o que este senhor esta fazendo? Minha nossa, ele tem uma faca. Nação pacífica uma ova, ele vai seqüestrar o avião, eu devia ter desconfiado da barba. Se eu arremessar essa comida cultural na cara dele, isso deve me dar tempo suficiente para agir. Calma, Batman, observe mais. O Asiático na poltrona adjacente a dele, eles estão conversando, terno e gravata os dois. Eu sabia, ele não tem um dedo, provavelmente perdeu o dedo em algum outro ato terrorista. Tem um homem de camisa social do seu outro lado e óculos espelhados. Droga! Droga! Ele possui uma arma. Ei… todos possuem uma estrela vermelha na lapela do terno, comunistas.


Ele está disfarçando usando a faca para comer, mas eu vejo que apesar do terno ele não possui escolaridade, o asiático (provavelmente um chines comunista ou coreano) fica mostrando pastas para ele. Devo ter chegado no meio de uma revolução. Vão fazer outra cuba aqui, centenas de inocentes vão morrer… não assim que o senhor trotsky-sem-dedos aqui levantar para seqüestrar o avião eu vou agir, mas não vou jogar o acarajé não, vou arremessar meu sapato.

“Vô tirar água do joelho.” Disse o líder, esse deve ser o código. Devia ter aprendido português. Ele esta levantando. Vai ser agora.

Teria funcionado muito bem se eu não tivesse esquecido de tirar o cinto de segurança. No exato instante que o criminoso levantava uma sacola caiu do bagageiro superior e meu sapato voador acabou por fazer desviar a sacola da trajetória de colisão. Imediatamente o sujeito de óculos sacou a arma, parou, olhou em volta, sorriu, e disse:

“Senhor presidente, foi por pouco, essa sacola ia ter aberto a sua cabeça.”

“Oxente, Jonas… Olha o homem, ele esta muito sério. Ei, obrigado, a sua atitude companheiro, garantiu a minha saúde, se todos os Brasileiros fossem rápidos como você, esse país seria muito melhor.”

Ele ta falando comigo. Ta todo mundo batendo palma? Por que? Será que só eu não entendi a piada, que povo exótico.

“Sorry, I do not speak portuguese.”. o asiático levanta.

“Thank you mister. You just saved the President of Brasil.”

“What???”

“Ô Jorge, fica quieto, deixa eu falar com o cidadão, tenho que praticar meu inglês.”

“Hu?”

“Hello mister, allow me to introduce myself, my name is Loo-Lah, I am the Citzen in charge of the Presidency”

Minha nossa, esse cara é o presidente. Que país louco.

“My jet is stuck so I had to travel in common way. Are you enjoying your acarajé, companheiro?”

“Can you teach me how to eat this thing, sir?”

“Hehehe, eu vô te ensinar as paradas!”


Estou hospedado no Copacabana Palace Hotel. Hoje completam nove dias que estou no Brasil, nesses nove dias eu aprendi muito sobre esse país exótico e me sinto muito mais calmo. Hoje é quarta-feira, portanto eu acordo as cinco da manhã para fazer Tai Chi Chuan na praia com o professor Lin Pen Yuan, sou um dos melhores Alunos. Por que será?

Após a aula vamos todos tomar matte, algo sobre um ritual antigo chamado cerimônia do matte. O grupo de alunos decide sair na noitada para uma boite, eu calmo concordo. Eu estou no território deles.

Combinamos as dez da noite num fast-food árabe para lancharmos antes de entrarmos na boite. Uma das meninas se oferece para vir me buscar no Hotel. Bruce, você é um conquistador.

“Alo, Robin? E ai garoto como andam as coisas?”

“Santa Ligação Bruce! Pelamordedeus volta! Ele fez um círculo de debates sacou? Chamou cada um dos vigilantes de Gothan e cidades perto, e fez uma rodinha… Bruce, ele passou dever de casa. Ele esta me fazendo escrever redações. Bruce, ele quer que eu vá a Igreja Luterana!!!!”

“DICK NÃO SE ESQUEÇA DA MINHA SUPER-AUDIÇÃO!”

“Dick, eu volto logo…” hehheeheh isso é para aprender a não ter idéias brilhantes.

Só tenho mais dois dias aqui. O passado parece distante, aqui eu sou Bruce Wayne. São 9:00 e eu só consigo pensar em Carla, me arrumo menos alinhado do que eu fazia em Gothan. Aqui eu quero ser uma pessoa normal não um multimilionário vigilante do crime.

O fast-food se chama habibs. Eu sei que habibs quer dizer querido em árabe. Acho que isso mais as esfihas e os quibes são tudo que existe de Árabe aqui. Hambúrgueres, Pizzas, sucos tropicais. Bom esse é sem dúvida um país estranho.

A boite se chama Bunker. Esse povo deveria ver a bat-caverna antes de chamar qualquer coisa de bunker. Toca uma música techno repetitiva, mas as pessoas tornam o ambiente legal. So tenho atenção para Carla. Vou bancar o bom moço.

“Hey Bruce, where are you from?”

“I’m from SmallVille, a rural district.”

“Rural?”

“Oh yes, I live with my adoptive parents.”

“Hum… and what do you do there?”

“I am a jornalist for the daily planet.”

“Ah… I’ll go for the bathroom, wait here.”

Bom, se isso não convencê-la que eu sou um cara legal nada mais vai. Já passaram sete minutos e ela ainda não voltou. Hei, não é ela conversando com um cara?

“Bruce, this is Augusto.”

1,70 de altura, cabelo malcuidado, 6 piercings pelo corpo, um furo no braço, viciado, olheiras, um rolex, uma chave de Audi para fora do bolso. Um playboy carioca clássico.

“Guto, pega uma caipirinha pra mim?”

“Sim tchutchuca.”

Do que ele chamou ela? Eu não acredito nisso. Essa mulher vai me trocar por um sujeitinho medíocre desses.

“Bruce, see, you’re a fun guy. I like to talk to you, but we’ll be friends only. “

“I am not getting.”

“Honey, I am not suited for old farmboys who lives with their parents.”

Eu sabia que isso ia acontecer, eu sabia, usar o Clark como bode expiatório nunca daria certo. Quatro garoto passam olhando, um tem a mão fechada dentro do bolso provavelmente segurando um canivete. Eu tenho 3 cadeiras a dois metros de mim, cinco copos no chão e quatro barras de ferro presas no teto e no chão. Eu estou bem mais preparado.

“So you will settle for that guy, do you checked his pupils, he’s on drugs you know?”

“And what a farmboy knows about drugs? Augusto is rich, fun and likes me. He is someone not like you. He’s a vale tudo fighter…”

“Ae princesa, ta tendo algum problema aqui?”

surge o tal lutador, humpf. Ele e mais quatro amiguinhos.

“Go away, or I will kill you.”

Eu apenas sorrio.

“So you’re a jackass. Voce sabe quem eu sou?”

E ele se prepara para fazer alguma coisa que não vai funcionar. Eu digo a única frase que eu sei em português.

“EU VO TE ENSINAR AS PARADAS!”

ele puxa o braço lá atrás para me dar um soco, como se estivesse me avisando: “Olha moço, eu vou te dar um soco daqui a dois segundos quando eu conseguir trazer o braço que eu desloquei inutilmente”. Eu estou chateado. Nada de acrobacias hoje. Eu me abaixo, o soco passa por cima de mim, eu salto dando um chute giratório na cara dele, ele cai. Os amigos olham, o dono do canivete esta inseguro. Ele saca a arma, eu estou preparado. Ele pega uma garota de refém. Carla cuida do tal Augusto enquanto xinga a minha mãe. Mas eu não escuto. Só existe agora eu, a garota e o monstro com a faca.

“Vaza!”

Não sei o que isso quer dizer, mas ele ta balançando a faca apontando pra saída. O caminho passa pelo bar. Eu sigo saindo, e quando passo pela multidão num movimento rápido eu rolo para dentro do bar. Começo a remexer pelos armários. Acho uma lata de bicarbonato de sódio, Um litro de leite, uma garrafa de gatorade de vidro. Eu jogo fora o isotônico, misturo leite e bicarbonato, tampo forte a garrafa, arranjo silver tape numa gaveta e lacro bem a tampa para não sair ou entrar ar.

Eu volto para pista andando pelas laterais escondido. Existe um círculo em volta deles. Carla ainda tenta acordar o tal Augusto. O cara da faca ainda tem a guria de refém, ele grita para ninguém chegar perto. Eu escondo a garrafa em cima de um daqueles canhões de luz, o único a iluminar a pista.


“Roberto, solta a garota.” Diz Carla “Ela não tem nada a ver com isso”

“Cala a boca piranha”

o tal Augusto acorda. “Solta ou leva a menina Roberto, vamos para o meu Apê.”

A garota treme de medo. A reação entre o bicarbonato e o leite produz gás, o vidro esta lacrado assim aumentando a pressão interna do recipiente, quando a pressão interna vencer a resistência do vidro, ele explode. Além de todo mundo ficar sujo de leite e bicarbonato, eu vou ter conseguido destruir a única fonte de luz. Eu me preparo numa posição boa, esperando aquele momento único.

Dura menos de cinco segundos, o barulho, os gritos, a escuridão. Antes mesmo de pensar em puxar a faca sobre o pescoço da menina, eu ja cai sobre ele. Correção, eu passei sobre ele, ele que caiu no processo. 10 segundos depois as luzes se acendem, a polícia chega, o cara tem os dois braços e as duas pernas quebradas.

Eu presto um depoimento rápido. Conto o que aconteceu e o que eu fiz. O inspetor parece se divertir com a história.

“So Bruce, how come you had this strange ideia of a bomb.”

“I watched too many MacGyver movies when I was a kid.”

Quando eu disse isso ele riu vários minutos. Ele estende um canivete suiço para mim dizendo para eu ficar com ele que eu saberia usar melhor. A menina que eu salvei chama Patrícia, ela pede para eu acompanha-la até sua casa. Eu sei das intenções dela. No caminho ela decide parar no habibs para comermos algo. Ela quer provar um doce estranho de nozes. Pedimos o doce, e após tanto mistério ela não gosta da sobremesa, e eu curiosamente, que não gosto de nozes, achei o doce maneiro. Intrigado eu conto isso a ela.

“Bruce dear, it’s all in the memory you know? You liked the candy because you did not recognize the taste of nuts in it. And I didn’t like for the exact same reason.”

Nossa, essas alunas de comunicação são espertas demais.

“See, it’s cultural. We cannot escape who we are. We can only be happy in our true element, there’s no point in faking it. This nuts are fake.”

Estranho mas isso faz um sentido absurdo para mim. Eu decido que eu gosto dela, ela é uma menina legal. Pagamos a conta. Caminhamos mais alguns blocos, chegamos ao prédio. Eu fico vermelho explicando que não vou poder subir. Eu estou mais incomodado que ela.

“Bruce it’s okay. As I said, we cannot escape who we are™. You have my ICQ number, keep in touch.”

Eu ganho um beijo no rosto, sincero. E sigo para o hotel. Ando alguns blocos repirando o ar tropical dessa cidade estranha e fantástica. Eu aprendi umas lições curiosas aqui. Eu observo várias figuras suspeitas nas ruas. Eu ando calmo sorrindo. Eu estou no meu território.

Eu entro no meu quarto e vou direto a minha mala, abro ela e aperto certos pontos escondidos em sua armação. Com um clique, um compartimento secreto se abre na maleta e eu olho a máscara.

Quem Sou Eu? Eu sou o Batman.

Por que eu estou aqui? Para retomar a noite, um monstro de cada vez.

Para onde eu vou? Eu vou vestir meu uniforme, pular pela janela e visitar as sombras da cidade maravilhosa.

EPILOGO

Estamos sentados no alto de um prédio em Gothan. O Super-Homem ja foi embora. Eu e o Robin esperamos algo acontecer, não podemos fugir a nossa natureza.

“Batman, por que voce esta sorrindo.”

Um barulho do meu comunicador, algo tipo um OH-OH. O Robin pega na bolsa para mim o aparelho ja abrindo para ver o que é.

“Bat-ICQ?!”

“Garoto, eu vou te ensinar as paradas…”

Eu já Disse que eu gosto muito de você


enviada por Tila






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